Gabriela Trindade

Entenda mais sobre os fatores que impactam o desenvolvimento infantil: Guia Completo

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INTRODUÇÃO

O desenvolvimento da criança está pautado em diversos fatores e fortemente conectados às suas experiências no ambiente em que vive. Segundo Vygotsky a criança aprende para depois se desenvolver, deste modo, o ciclo, o estímulo das habilidades de um ser humano se dá pela aquisição/aprendizagem de tudo aquilo que o mesmo vivencia e constrói socialmente ao longo da história da humanidade.

A criança observa o tempo todo e espelha muitos dos comportamentos dos adultos ao seu redor. Pais e professores são referência em sua vida. Elas experimentam todos os estímulos recebidos por meio destas interações e do ambiente. Tanto psicológicos, quanto físicos e culturais. 

Diante disso, é preciso considerar todos os meios em que vive para identificar tanto potencialidades, quanto a fase de desenvolvimento que vivencia.

Nos primeiros anos de vida, existem grandes diferenças no que se refere ao desenvolvimento entre as crianças, principalmente relacionado ao estado emocional, movimento, cognição (aprendizagem) e relacionamento; que chamamos de psicomotricidade. 

Se faz necessário entender, que cada ser é único! Pois, não é porque um bebê que andou com nove meses é relativamente mais inteligente do que aquele que andou com um ano e 1 mês, por exemplo.

DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA 

É muito importante sabermos reconhecer em que fase do desenvolvimento a criança se encontra, porque em cada uma delas, a criança percebe o mundo de uma maneira diferente. Jean Piaget – biólogo e psicólogo, contribuiu muito sobre os aspectos cognitivos, aspectos de aprendizagem da criança, definindo-os em 4 estágios do desenvolvimento:

0 a 2 anos-  SENSÓRIO MOTOR

  • Característica marcante é o SENTIR; 
  • Experimentar, ver como tudo funciona; 
  • As associações neurais que estão se desenvolvendo no cérebro através desse explorar; 
  • Pensamento mágico; (brincar de se esconder) 
  • Brinquedos com textura, coloridos para usar todos os sentidos

2 a 7 anos- PRÉ-OPERATÓRIO

  • Egocentrismo; 
  • Começa a surgir o NÃO (diferenciando seu Eu dos pais); 
  • Construindo sua identidade e personalidade; 
  • Certo x Errado (porém sem o pensamento crítico/moral); 
  • Sexualidade; 
  • Não entendem quantidade (não tem pensamento representativo/abstrato); 
  • Imaginação (Faz de conta); Quanto mais usar o lúdico, mais irão cooperar.
  • Inicia o reconhecimento no espelho;
  • Imitação diferida; 
  • Centralização; 
  • Dificuldade em se colocar no lugar do outro, egocentrismo; 
  • Os objetos têm sentimentos humanos; 
  • Começa a desenhar; 
  • Brinca de faz de conta.

7 a 11 anos OPERATÓRIO CONCRETO

  • Empatia; 
  • Entende regras; 
  • Consequências dos atos e escolhas; 
  • Pensamento abstrato; 
  • Vê o mundo de forma realista; 
  • Se expressa mais verbalmente e menos corporalmente (Emoções);
  • Adoram desafios (explorar jogos de raciocínio); 
  • Criar estratégias juntos para ajudar a cooperar, se sentir motivado; “Será que você consegue?”
  • Começa a entender analogias, mas apenas em eventos concretos;
  • Início das operações mentais, entende mais de um aspectos das situações; 
  • Gostam de colecionar;
  • Brincam com jogos de tabuleiro;
  • Adquire noção de conservação;
  • Desenvolve pensamento lógico matemático

12 + anos OPERATÓRIO FORMAL

  • Capacidade cognitiva semelhante ao adulto; 
  • Consegue fazer deduções e trabalhar com hipóteses mais elaboradas;
  •  Pensamento lógico e abstrato; 
  • Independência e Autonomia; 
  • Assumem suas opiniões, personalidade e posição no mundo; 
  • “Vocês não sabem de nada”.
  • Entendem o mundo através do pensamento lógico. Utiliza razões abstratas para especular sobre situações hipotéticas, considera as possibilidades, lógicas e analisa. 
  • Desenvolve lógica matemática;
  • Egocentrismo adolescente;
  • Adquire razão moral;
  • Raciocínio dedutivo;
  • Lógica indutiva;
  • Planejamento;
  • Imaginação.

Bebês

Bebês e crianças pequenas estão apenas aprendendo a controlar seus corpos. A coordenação motora, não amadurece até aproximadamente cinco anos. Os bebês ainda não compreendem seus próprios sentimentos ou corpos. 

No primeiro ano de vida, uma criança está aprendendo a confiança. Esta é a lição mais importante que ela aprenderá. Ela aprende através de você, quando responde aos sinais dela. Especialmente no primeiro ano, a disciplina consiste em ensinar uma criança as habilidades que ela precisa.

Crianças pequenas (2-3 anos)

Crianças pequenas estão focadas em aprender sobre o mundo. 

Os seus cérebros ainda estão crescendo ativamente, e eles são curiosos, impulsivos e precisam explorar e mover seus corpos. 

Eles ainda não têm palavras para seus sentimentos, nem podem entender a palavra “não!” como os adultos acham que eles deveriam. 

Crianças nesta idade buscam receber atenção e desenvolver o senso de poder pessoal; por isso querem fazer as coisas sozinhas do jeito delas. São partes importantes do desenvolvimento nesta idade. 

A criança está constantemente tomando decisões sobre si mesmo e o mundo, e sobre como encontrar significado e aceitação nesse mundo. Essas decisões são baseadas em como ele interpreta experiências de vida, e assim eles criam um “modelo” para as experiências futuras. 

Suas ações e crenças terão uma forte influência sobre as decisões de seus filhos. Lembre-se também de que as crianças, especialmente as pequenas, aprendem observando e imitando os outros ao redor. Seu pequenino não vai só querer empurrar o aspirador de pó ou lavar os pratos como a mamãe, o papai ou a vovó fazem, mas também quererá imitar os valores nos quais vocês acreditam, tais como honestidade, bondade e justiça.

Crianças pequenas estão focadas em aprender sobre o mundo. Os seus cérebros ainda estão crescendo ativamente, e eles são curiosos, impulsivos e precisam explorar e mover seus corpos.

Essas decisões são baseadas em como ele interpreta experiências de vida, e assim eles criam um “modelo” para as experiências futuras. Suas ações e crenças terão uma forte influência sobre as decisões futuras de seus filhos. 

“-Filho, não é para subir na escada…”

Então, ele dá aquela olhadinha e continua subindo.

Isso acontece, pois o nosso cérebro leva um tempo para processar o “NÃO”. O nosso cérebro precisa pensar na ação que deve fazer, para depois pensar no que NÃO DEVE FAZER.

Crianças (4-6 anos)

Nessa fase as crianças estão aprendendo sobre relacionamentos, linguagem e suas próprias habilidades.

Invista muito tempo em treiná-las. Ensinar é uma das coisas mais encorajadoras que você pode fazer! Siga a liderança da criança: se ela tiver curiosidade sobre arte, ofereça pinturas. 

Se quiser dançar, ligue a música. Você está construindo as bases para o seu crescimento e aprendizagem no futuro. Use as ferramentas da Disciplina Positiva para estabelecer limites apropriados, encorajar e ensinar. 

Lembre-se de fazer o acompanhamento com respeito e dignidade. Quando você usar os erros como oportunidades para aprendizado, seus filhos irão aprender essa atitude valiosa. 

Deixe que suas ações como mãe ou pai ensinem a seus filhos que eles são amados e respeitados, que as escolhas têm consequências (não as do tipo que você impõe, mas as que você pode ajudar a explorar), e que o lar é um lugar seguro e prazeroso para estar.

Dicas do que não fazer que pode atrapalhar o desenvolvimento infantil

Evite comparações

Comparar as crianças umas com as outras, muitas vezes afeta a autoestima de nossos filhos. Você deve evitar essa prática que prejudica o desenvolvimento da personalidade da criança. Temos que observar e compartilhar dúvidas e preocupações com o pediatra e médicos da família. 

Porém, o filho de outra pessoa é outra criança, portanto, com outras características. Mesmo sendo irmãos, cada um terá sua personalidade e tempo para cada etapa do desenvolvimento. 

Olhe sempre com curiosidade ao seu filho e quando tiver dúvidas, procure orientação de um especialista.

“-Ai, filho porque você não faz como seu irmão? Você precisa aprender!”

“-Seus amigos já sabem!”

“-Sua prima Mariazinha come brócolis, por que você não come tudo igual?”

“-Olha lá, oh, as meninas são irmãs e se gostam, você precisa gostar da sua irmã também.”

 Agora me diz, e se você escutasse isso de alguém, ou até mesmo ouvisse de um amigo falando. “-Nossa, seu filho não sabe ainda fazer isso, o meu sabe?” Gera um incômodo né? 

Imagina a sensação da criança ao ouvir isso? A mensagem que fica é muito ruim. Não podemos comparar nossos filhos com outra pessoa, e sim com ele mesmo: “-Lembra que você tinha medo de entrar na praia?” “-Você não conseguia colocar a blusa e depois você aprendeu?” “-E quando você estava aprendendo a andar de bicicleta, lembra que você caia toda hora? Agora você anda direitinho.” “-Essa dificuldade é como aquelas que você estava aprendendo. E você conseguiu. Então você conseguirá, sabe por quê? Porque você é capaz!”

Cuidado com os rótulos

O hábito de usar esses adjetivos é algo natural, e às vezes inconsciente. Só que se as crianças ficarem ouvindo sempre isso de nós, elas começam a acreditar que são aquilo que tanto dizemos. Quando rotulamos as crianças, fazemos com que se tornem exatamente aquilo que estamos dizendo. 

Primeiro porque elas acreditam em nós, segundo porque elas acham que precisam corresponder a estes adjetivos e elas se tornam reféns disso.

Os rótulos reforçam o comportamento, prefira sempre perguntas ou palavras positivas: “-O que fazemos com os brinquedos após brincar? Que tal se juntássemos os brinquedos na caixa, todo mundo junto?” 

Quando usamos perguntas ao invés das ordens e rótulos chamamos a criança para AUTORRESPONSABILIDADE e compromisso, além de se oferecer para ajudar.

“-Sei que VOCÊ CONSEGUE, vamos tentar novamente?” “-Estou aqui se precisar de ajuda!” ENCORAJE e INCENTIVE a criança! Desta forma você ensinará a importância da DEDICAÇÃO E DETERMINAÇÃO.

CONCLUSÃO

As crianças estão sempre se desenvolvendo, aprendendo coisas novas, tomando decisões que levarão para toda a vida e aprendendo e potencializando novas habilidades.

E para que essas habilidades e decisões sejam compatíveis com o que esperamos deles no futuro, precisamos desde já, entender mais sobre o desenvolvimento infantil e usar ferramentas, estratégias e maneiras respeitosas e eficazes de ensiná-los. 

Referências Bibliográficas

SIEGEL, D.; BRYSON, T. O cérebro da criança: 12 estratégias revolucionárias para nutrir a mente em desenvolvimento do seu filho e ajudar sua família a prosperar. 1.ª ed. São Paulo: Editora NVersos, 2015.

BARAN, M. et al. Lembrar, espelhar e experimentar: distanciamentos e sobreposições entre público e especialistas brasileiros sobre desenvolvimento na primeira infância. Washington, DC: Instituto FrameWorks, 2014.

Center on the Developing Child at Harvard University. Toxic Stress. Leia mais no tópico O estresse na Infância.

UNICEF. Relatório anual do Fundo das Nações Unidas para a Infância: crianças de até 6 anos, o direito à sobrevivência e ao desenvolvimento. Brasília, 2006

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